Você já se perguntou por que algumas pessoas escrevem com a mão esquerda enquanto a maioria usa a direita?
Mais do que uma simples preferência motora, essa distinção entre canhotos e destros pode refletir diferenças neurológicas fascinantes e até influenciar traços de personalidade, habilidades cognitivas e riscos de saúde.
Vamos explorar o que a ciência tem a dizer sobre isso.
🧭 Lateralização Cerebral: O Ponto de Partida
O cérebro humano é dividido em dois hemisférios — esquerdo e direito — e cada um é responsável por diferentes funções. A lateralização cerebral refere-se à especialização dessas funções em cada hemisfério. Em geral:
- Destros têm dominância do hemisfério esquerdo, que está associado à linguagem, lógica e pensamento analítico.
- Canhotos apresentam maior variabilidade: cerca de 70% também têm dominância esquerda, mas muitos têm dominância do hemisfério direito ou uma distribuição mais equilibrada.
Essa diferença pode impactar a forma como cada grupo processa informações, pensa e se expressa.
🎨 Criatividade vs. Lógica: Estereótipos com Fundamento?
Estudos sugerem que os canhotos tendem a ter maior ativação do hemisfério direito — o lado ligado à criatividade, intuição e imaginação. Isso pode explicar por que muitos artistas, músicos e escritores são canhotos.
Já os destros, com predominância do hemisfério esquerdo, costumam se destacar em tarefas que exigem raciocínio lógico e habilidades verbais.
Mas atenção: essas são tendências, não regras. A neurodiversidade é ampla, e cada cérebro é único.
🧬 Riscos Neurológicos e Transtornos
Pesquisas indicam que canhotos podem ter uma ligeiramente maior propensão a certos transtornos neurológicos e psiquiátricos, como:
- Esquizofrenia
- Transtorno bipolar
- Dislexia
Essas correlações podem estar ligadas à forma como o cérebro dos canhotos se organiza e processa informações.
No entanto, esses riscos são estatísticos e não determinantes — ser canhoto não significa ter predisposição garantida a tais condições.
🌍 Um Mundo Feito para Destros?
Além das diferenças neurológicas, há também implicações sociais. Historicamente, canhotos foram marginalizados, na Idade Média, eram associados à bruxaria, e até o século XX, crianças eram forçadas a “reaprender” a escrever com a mão direita.
Hoje, embora haja mais aceitação, o mundo ainda é majoritariamente projetado para destros, o que pode gerar desafios cotidianos para os canhotos.
🧩 Conclusão: Celebrando a Diversidade Cerebral
As diferenças neurológicas entre canhotos e destros são um lembrete poderoso da complexidade do cérebro humano.
Seja pela dominância hemisférica, pelas habilidades cognitivas ou pelos desafios enfrentados, essa distinção revela que não há um “certo” ou “errado” — apenas formas diferentes e igualmente válidas de existir e pensar.
Então, da próxima vez que você vir alguém escrevendo com a mão esquerda, lembre-se: pode ser o cérebro mostrando sua criatividade em ação.
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